Dualidade

large (33)

Quando eu tinha meus 13 e poucos anos inventei de bordar. Sim, aquele trabalho que muita gente considera ”de vó”, ”de mãe”. Aliás, foi vendo minha mãe trabalhar naquilo que tive interesse em aprender.

No começo foi bem difícil, eu não sabia muito bem nem mesmo como começar. Eu já tinha tentado um tempo atrás, mas sem muito saco, acabou ficando meio chato e eu desencanei. Mas lá fui eu, tentar de novo. Não sabia qual agulha usar, o tipo da linha, era um mundo totalmente novo pra mim, tinha me esquecido de praticamente tudo.

Mas aos poucos eu fui pegando o jeito, arrumei a agulha, o pano, as cores que eu queria usar, escolhi um desenho bem bonito, algo que eu queria guardar e um dia mostrar pra alguém e falar: ”Olha, este é oficialmente meu primeiro bordado!”.

Muito animada e com uma disposição que eu dificilmente tinha para estudar, comecei. No começo achei tudo tão fácil! Faz uns pontos aqui, preenche uns quadradinhos ali, vai dar certo. Mas não deu. Não era tão fácil assim.

Ao contrário do que eu pensava, não era só escolher um desenho, definir tons e mãos à obra. Tinha muita coisa por trás disso. Minha mãe me explicou: pra dar certo tem que ter paciência, tem que escolher os lugares certos pra preencher, tem que ter o as cores com o número certo, senão dá errado! Errou? Começa de novo, oras. Paciência!

Mas eu me irritava com isso, sempre fui muito ansiosa, queria as coisas prontas pra já, queria fazer do meu jeito. E daí que tem um jeito certo de se fazer? Quero o meu! Eu era bem teimosa.

Tentei muitas vezes fazer do meu jeito, sem escutar a minha mãe, não dei bola. Mas uma hora eu tive que ceder, por mais que eu tentasse fazer ”a la Juliane”, fatores externos me impediam de ser do meu jeitinho.

Tive que adaptar. Escolhi cores que eu gostava e eram parecidas com as que pediam para eu usar, preenchia sempre os buraquinhos certos, se eu errava um ou outro, tudo bem! Errar é humano.

Foi com muito esforço e sim, paciência, que fiz meu primeiro bordado. Não ficou bem como eu esperava, mas eu me orgulhava muito dele, precisei mudar muita coisa do meu ”jeitinho de bordar” pra chegar até onde eu tinha chego, precisei aceitar coisas que eu não concordava, algumas coisas até acabei entendendo que, na verdade, deixava tudo mais fácil.

Pra você ver. Bordado é um cão dos diabos. Amor é um cão dos diabos.

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